Archive for the ‘Ideias’ Category

Sim, o título encontra-se correcto! A Clear Channel, maior cadeia de rádios do Estados Unidos, tem estudado a possibilidade de incluir ‘blinks’ nas suas emissões radiofónicas. E o que são ‘blinks’? Tratam-se na verdade de spots publicitários com a duração de um segundo, que podem variar desde jingles, a menções de nomes de marcas, ou apenas a sons claramente associados com uma determinada marca ou produto. A ideia dos responsáveis da Clear Channel é a de tentar encontrar novas formas de recriar a publicidade radiofónica que tem vindo a decair nos últimos anos. É uma aposta arrojada e que procura surpreender pela inovação.

É preciso que se note que a memória sensorial auditiva é processada pelo ser humano de forma sequencial tendo um tempo de duração de cerca de 2 a 3 segundos; sendo que o tempo de resposta a um estímulo auditivo varia entre 120 a 140 milissegundos, valor sujeito a alterações de acordo com características pessoais e contextuais.

Com isto quero dizer que sendo uma potencial estratégia de demarcação do actual status quo e que pretende valer-se do seu carácter diferenciador; será também um tipo de publicidade que requererá enorme reflexão por parte dos eventuais anunciantes. Começando desde logo pela adequação da mensagem a um espaço temporal tão curto. Mas para além do tempo de exposição ser reduzido, há que ter em conta questões como a brand awareness que me leva a reflectir que este será um modelo apenas ao alcance de grandes marcas com uma posição no mercado já estabelecida e com um reconhecimento instantâneo junto dos consumidores.

Ora isto para um projecto radiofónico deixa algo a desejar! Sobretudo em termos de divulgação. Senão reparemos: uma grande marca tem interesse em que a sua mensagem se difunda para a totalidade da população, sendo que irá certamente apostar em emissoras que tenham cobertura em todo o território nacional; nestes casos quer-me parecer que será um projecto viável. Mas coloca-se a questão: será mais eficiente que um spot de 15 a 20 segundos como hoje acontece? Em termos custo-eficiência compensará? Quer para a rádio, quer para a marca. Se para rádios de emissão nacional pode ser uma alternativa, para as emissoras locais apenas o será por acarretar menores custos e poder assim ser um atractivo para as grandes marcas aí anunciarem, senão… Estas são rádios que terão um mercado mais limitado e que por isso a maioria dos anunciantes são empresas locais, que não só não terão o reconhecimento necessário para se fazerem notar em 1 segundo, como certamente estarão menos disponíveis para uma abordagem mais inovadora.

A parte positiva é a menor intrusividade para com os ouvintes que resultará em sentimentos mais positivos para com a rádio, e eventualmente para com o anunciante. O efeito de exposição será certamente uma outra mais valia importante.

Tags Technorati: , ,

Tags Destakes: Publicidade; Media; Rádio

Anúncios

Neste artigo Karl Long apresenta o caso de um episódio piloto de uma série norte-americana que nunca chegou a ser emitido, mas que tem sido um sucesso no Youtube. Um segmento de 10 minutos da série, denominada ‘Nobody’s Watching‘, foi durante o mês passado o 49º clip mais visto e o 34º mais discutido; isto num total de 291,600 visualizações do clip. Long lança então a questão:

Youtube the new “focus group”?

Desde logo, esta situação apresenta-se como uma total discrepância entre a opinião dos produtores televisivos e a audiência mostrando que a abordagem feita ao programa passou mais pela opinião pessoal de quem tem o poder de decidir do que atendendo ao real interesse da audiência. Mas adiante…

De facto, do ponto de vista de programas televisivos, sites como o Youtube, Metacafe e afins apresentam-se como uma plataforma abrangente e económica de ‘testagem’ de novos programas e conceitos. A questão coloca-se claro em termos da selectividade da audiência: nem todo o público-alvo de uma cadeia televisiva tem acesso ao Youtube, e dos que têm parte desconhece ou não utiliza o site.

A forma de contornar este ‘problema’ passaria por um estudo de tendências e de segmentação dos ‘clientes-tipo’ deste tipo de plataformas, e utilizá-las apenas para conteúdos direccionadas para esse alvo. Por outro lado, e abordando as coisas de um prisma mais pragmático, os problemas de selectividade deste tipo de plataformas não são muito diferentes dos que se colocam aos focus groups tradicionais. Angariar pessoas que disponibilizem parte do seu tempo para dar ‘insights’ sobre um produto/serviço acerca do qual podem não estar interessados, é uma tarefa árdua e atreita a erros. Desde logo porque nem todas as franjas populacionais se encontram em situações de igualdade selectiva, o que leva a que os participantes sejam normalmente pessoas que de certa forma não são totalmente representativos da população global (i.e. estudantes, domésticas, desempregados, reformados). A forma encontrada para ultrapassar tais questões é o óbvio pagamento – em dinheiro ou em brindes – que no entanto acarreta o problema de atrair os chamados ‘profissionias dos focus groups’, pessoas que fazem disso o seu estilo de vida (não confundir com a formação de painéis).

A ideia parece-me interessante, embora necessite de ver algumas arestas limadas. Uma alternativa que me parece mais viável, e até mais integrante, seria a criação por parte das próprias cadeias televisivas de uma comunidade crítica online. Basicamente seria o disponibilizar de segmentos de episódios piloto como é o caso, numa plataforma online criada para o propósito, onde os consumidores-críticos poderiam avaliar o interessa recorrendo ao feedback via comentários, como até acrescentando índices de análise quantitativos. O acesso ao conteúdo poderia ser executado via registo, o que permitiria às companhias fazer distinções via segmentação em termos de análises, ou mesmo restringir o acesso a certos programas em função do público que interessaria analisar. Um simples sistema de newsletter ou avisso rss seriam úteis na tarefa de lançar avisos de disponibilização de novos conteúdos.

Este post de Jeff Jarvis, embora falando de contextos diferentes, poderá ser útil para uma compreensão mais alargada do conceito.

Tags Technorati: , , , , ,

Tags Destakes: Marketing; Estudos de Mercado; Web 2.0; Media

Lembram-se do concurso de Wet T-Shirt cujo objectivo era o de promover uma banda? Bem parece que a moda veio para ficar, embora desta feita elevada a um nível superior

Tags Technorati: ,

Tags Destakes: Publicidade

Algumas notícias nos últimos tempos têm vindo a demonstrar que a indústria do entretenimento começa a olhar para a Internet não só como uma fonte de pirataria, mas também como um novo canal de distribuição de conteúdo com enorme potencialidade. Steve Rubbel já havia abordado isso num post acerca da possibilidade de se usar o protocolo BitTorrent para esses fins (como aqui indiquei).

A Warner Bros. foi a primeira a lançar-se neste ‘mercado’ através de uma parceria com o Guba um pioneiro no género de vídeo gerado pelo consumidor. Desde ontem que é possível aceder no portal a conteúdos recentes e clássicos da Warner. Existem dois modelos de negócios disponíveis: o Video-on-Demand que possibilita o acesso ao conteúdo por um período de 24 horas; e o Download-to-Own que possibilita visualizar o conteúdo em 2 computadores distintos e um aparelho móvel bem como uma gravação para DVD de backup. (Via: TechCrunch)

Numa nota similar, a NBC estabeleceu uma parceria com o YouTube utilizando o portal para promover alguns dos seus novos programas. A interactividade será também um ‘prato forte’ do acordo com a estação televisiva a realizar concursos acerca de alguns programas como é o caso do ‘The Office’ (não a versão inglesa original). (Via: Micro Persuasion)

Um pouco fora do contexto, via Coolz0r temos uma lista de alguns clássicos da 7ª Arte que se encontram disponíveis para ver no Google Videos.

Tags Technorati: , , , , , ,

Tags Destakes: Marketing, Cinema, Web 2.0

99% de transpiração, 1% de inspiração

Esta velha máxima futebolística temabém pode, melhor dizendo, DEVE ser aplicada ao Marketing. A ideia de que uma boa estratégia surge num momento 'arquimédico', em que alguém tem um momento criativo excepcional, parece-me continuar a prevalecer em muitas organizações por esse país fora. Isso pode resultar numa percentagem ínfima dos casos, nos restantes servirá mais para complicar do que para criar!

Não digo que estes momentos de criatividade não sejam importantes ou necessários, porque de facto o são, mas devem ser encarados com uma parte integrante de todo um processo que inclui muita pesquisa, análise e 'compreensão' do mercado. O momento em que a mação caiu na cabeça de Newton, não foi o momento de criação por si, mas sim o momento que distinguiu o processo de criação, o momento que permitiu a compreensão do fenómeno da gravidade. E é isso que os momentos criativos devem ser: o 'click' de concretização das ideias em actos! Porventura serão o momento que irá distinguir toda uma campanha ou estratégia das demais concorrentes, mas ainda assim não será o momento central do processo de concepção geral.

Sem um estudo profundo das características do mercado, dos interesses dos consumidores, com uma segmentação eficaz do 'target', mesmo a mais brilhante das estratégias fica comprometida. E isto tanto é verdade para uma empresa que produz tecnologia de ponta, como para uma que se dedica à venda de produtos alimentares, ou para a construção de uma campanha política! A não compreensão do 'mercado' traduz-se em erros estratégicos comprometedores.

Não raras são as vezes que as organizações e os 'marketeers' recorrem a estudos de mercado não com o intuito de obterem 'insights' sobre os quais irão trabalhar, mas para 'confirmar' nestes o eventual interesse do mercado no produto que acabaram de desenvolver sem que para tal tivessem consultado os consumidores sobre o interesse nesse produto específico. Seria minimamente aceitável uma tal estratégia caso tivesse por detrás uma lógica popperiana de infirmação das hipóteses levantadas; mas mesmo quando tal se verifica 'inadvertidamente' – do ponto de vista de quem cria e não de quem consome – a tendência é para 'recusar' ou 'negar' as evidências e suportar a criatividade.

Como diria Sun Tzu:

Conhece o teu inimigo!

mesmo que esse inimigo seja um potencial consumidor! A ideia de que as organizações conhecem os desejos dos consumidores melhores do que estes mesmos, está por trás de falhas em estratégias e campanhas que no papel teriam tudo para vingar.

Tags Technoratti: ,

Tags Destakes: Marketing, Estudos de Mercado

Musicbox

A Sony BMG lançou recentemente um site próprio, o Musicbox Video, onde lançará os videoclips dos artistas com os quais tem contrato. Trata-se de uma jogada interessante, na medida em que a empresa permite aos visitantes não só colocarem um link direccionado para os vídeos como irão permitir que os mesmos sejam incluídos em posts de blogs.

A ideia da Sony é disponibilizar directamente o conteúdo aos consumidores criando mais valias subjectivas junto destes, mas também mais valias económicas com o espaço para anúncios que coloca antes de cada vídeo. Uma jogada interessante que interessa também saber qual o grau de sucesso que virá a ter, já que muito provavelmente este será o meio de combate destas companhias à proliferação de social networks como o Youtube.

Via: Business2Blog

Tags Technorati: , , , ,

Tags Destakes: Marketing, Web 2.0, Sony, Videoclips, Media

Pedro Bidarra, vice-presidente da BBDO, dá uma interessaante entrevista no suplemento Dia D, que sai à segunda-feira com o jornal ‘Público’. Entre considerações acerca do mercado da publicidade em Portugal, Pedro Bidarra aborda o tema da promoção da Marca Portugal, dado que a BBDO o concurso do ICEP.

A ideia da BBDO passa por uma mudança na apresentação geográfica de Portugal, abandonando o estigma de país do Sul para nos assumirmos como o Oeste da Europa. O objectivo passa sobretudo por melhorar a comunicação de Portugal e dos Portugueses para o exterior abandonando a ideia de país atrasado, de brandos costumes; enfim, largando a imagem de ‘saloice’ que temos por essa Europa fora.

De facto assumirmos que somos a ponta Oeste da Europa parece ter, quer em termos de imagem quer em termos turísticos, maiores vantagens estratégicos do que insistirmos em pertencer a um Sul que, queiramos ou não, é estigmatizado no resto do continente. Obviamente que isso por si não irá alterar em muito a imagem dos Portugueses, até porque para isso era necessário alterara questões culturais e sociais que estão claramente fora do alcance da BBDO. Não nos podemos esquecer que Portugal foi/é um país exportador de mão-de-obra barata e não qualificada, e que os nossos quadros superiores que emigram sentem-se forçados, por vergonha ou por pressões, a omitir a sua proveniência. Isso apenas mudará quando for possível assumir-se como português sem cair no estereótipo de sermos indivíduos ‘montados em jumentos, vestidos de preto e a puxar carroças’, nas palavras de Pedro Bidarra; um estereótipo que parte sobretudo das vagas de emigrantes com origens nas zonas rurais do interior, que forçosamente pelas diversas condicionantes tratam-se de pessoas não qualificadas em termos laborais. A aposta aqui terá de ser direccionada para os próprios Portugueses e não para um target internacional, e não me parece que a BBDO, ou outra empresa publicitária, tenha grandes possibilidades de actuar.

A outra proposta da BBDO passa pela alteração da bandeira nacional, abandonando a inestética versão actual, que Bidarra refere como similar à de ‘quase todas as nações africanas, o que remete Portugal para um sul miserabilista’. A proposta da BBDO passa pela colocação da esfera armilar sobre um fundo azul turquesa, que remeta para a ideia de mar; não só pela extensão da nossa costa marítima, mas também pela tradição lusitana de navegação. Ora, aqui é que Pedro Bidarra pode, como se costuma dizer, ‘tirar o cavalinho da chuva’!

Sejamos francos, a bandeira nacional é um símbolo de soberania, mas é sobretudo um símbolo de identidade e de representação social do país. A possibilidade de ser alterada com vista a argumentos puramente comerciais é insustentável; até porque o ‘saloismo’ (que tem aspectos negativos, mas também positivos) que gira em torno de toda esta euforia das bandeiras com a selecção portuguesa, prova que tal dificilmente será aceite. 

Concordo com a ideia de se alterar a bandeira, embora seja da opinião que a única solução possível seja um regresso às cores nacionais: o azul e o branco (ou vice-versa), que ainda hoje se mantém na bandeira dos Açores. Não esqueçamos que o abandonar destas cores na bandeira prendeu-se com um corte ideológico e político com a monarquia, uma substituição de símbolos. O retornar às ‘cores naturais’ do país, desprovido de qualquer sentimento de restauro monárquico, alcançaria o efeito pretendido pela BBDO sem corresponder a um corte com o passado; seria pelo contrário um regresso ao passado de inovação e empreendorismo que marcou Portugal na época dos descobrimentos. Obviamente que as armas reais seriam substituídas pela esfera armilar!

Mas como já disse, ‘not going to happen’!

Tags Technorati: ,

Tags Destakes: Marketing, Portugal