Jornais Cada Vez Mais Especializados

É aquilo que preconiza Jeff Jarvis nesta sua nova “regra” que advoga que os jornais deverão manter a sua estrutura de profundidade temática apenas nos temas em que reconhecem ser efectivamente bons, direccionando os leitores para outras publicações em situações onde, por falta de tema ou de expertise, não sejam capazes de fornecer uma descrição mais detalhada e crítica da situação.

Embora a sugestão de Jarvis nos levasse possivelmente a um patamar de excelância qualitativa cada vez maior, a verdade é que a probabilidade de tal suceder é nula – ou quase. Como o próprio aponta, nenhum jornal – ou meio de comunicação – gosta de “ficar de fora” e ter de recorrer ao trabalho de um concorrente por uma questão de orgulho, mas também por uma questão de mercado. Um jornal tradicional – deixo aqui de fora os gratuitos – tem de obviamente apresentar mais valias aos leitores para demonstrar que merece a sua preferência, mas também tem de ser capaz de os informar convenientemente acerca de tudo ou quase tudo. Se a especialização que Jarvis sugere iria sem dúvida representar uma mais valia em alguns tópicos acabaria por deixar vazios que a médio-prazo viriam a custar leitores.

As edições online poderiam certamente vir a beneficiar com isto, com os jornais a apresentar breves excertos e reencaminhando os leitores para páginas onde o assunto fosse debatido em maior profundidade. Mas isso já qualquer um pode fazer recorrendo a um agregador de notícias, pelo que não vejo o que poderia ganhar os jornais adoptando este sistema.

Embora uma crescente especialização me parece o caminho mais adequado, ao invés de uma maior dispersão de assuntos e uma tentativa de cobrir a totalidade dos assuntos, não penso que os jornais se possam dar ao luxo de abdicar de parte dos temas de análise correndo o risco de alienar os seus leitores perdendo-os para concorrentes.

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  1. O que as pessoas se esquecem é que os jornais generalistas são uma das melhores formas de combater a info-exclusão.

    Nem toda a gente sabe usar um computador e desses nem todos aprenderam a usar a internet como fonte de informação.

    Se as novas tecnologias agregarem demasiado depressa todas as formas de comunicação dentro da sociedade, estas pessoas perdem o acesso à informação. Tornam-se info-excluídos.

    Por isso é importante que pelo menos por agora os jornais mantenham o seu carácter generalista. Enquanto isso cabe-nos ajudar a combater essa forma de exclusão.

  2. Uma questão extremamente válida e na qual ainda não tinha pensado. Bem visto!

    Mesmo que seja só pela componente comercial, nenhum jornal (salvo gratuitos) generalista pode “encaminhar” leitores para outros jornais para obter informação extra: seria um contrasenso com a política de fidelização que a maioria adopta, e acabaria por levar a uma diminuição ainda maior da base de leitores de cada jornal. Se o jornal que compro não me informa e remete-me para outro, o mais lógico é eu à partida comprar o outro!




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