Arquivo de Agosto, 2006

Ordenar casos, de acordo com um dado critério, tem sido uma actividade mais frequente ao longo da humanidade, pelo que um fenómeno como o dos blogs não podia ser excepção. Acontece que, em termos nacionais, a única referência é o Blogómetro do Weblog baseado única e simplesmente no número médio de visitas que cada blog recebe diariamente. Como em qualquer concurso de popularidade, existem mais critérios que devem ser tidos em conta para “ajuizar” qual a posição de cada blog num ranking hipotético.

Foi com este pensamento em conta que resolvi encetar um exercício de criação de um ranking de blogs portugueses que agregasse diversos dados de análise, atribuindo a cada um uma dada ponderação, capaz de dar uma ideia geral da “popularidade” de cada blog. Para o ranking em questão recolhi dados do contador Sitemeter de cada blog, bem como os resultados dos mesmos nos motores de pesquisa Technorati, Google PageRank, Google Blogsearch, Yahoo! Sitesearch, Blogpulse e IceRocket. O resultado final de cada blog foi calculado pela soma dos seus índices ponderados em cada um destes parâmetros. Para esta primeira versão do ranking foram tidos em conta 102 blogs escolhidos entre os constantes da lista do Blogómetro e entre a minha lista de visitas habituais; faltarão certamente outros que importaria acrescentar mas a impossibilidade da minha parte em aceder a dados (sobretudo em termos de visitas) deixo-os de fora deste exercício.

Fica aqui então os 20 primeiros do ranking ponderado dos blogs portugueses:

  1. Blasfémias
  2. Abrupto
  3. Causa Nossa
  4. Insurgente
  5. Rua da Judiaria Continuar a ler »

A Universal Music está por trás do serviço SpiralFrog, a ser lançado em Dezembro, quer permitirá o download legal de músicas em mp3 subsistindo à base da publicidade online. Este novo serviço pretende rivalizar com o iTunes da Apple, que detém uma quota de 80% do mercado de download legal de música, procurando também aproveitar o grande número de clientes que possuem leitores de mp3 incompatíveis com os serviços Apple. O SpiralFrog terá ainda a concorrência do Zune da Microsoft e do Urge da MTV, ambos a funcionarem de acordo com o modelo negocial da Apple: taxação de um preço diminuto por cada música descarregada.

Por outro lado, o rácio de dowloads ilegais continua a ser de 40 para cada download legal sendo por isso objectivo da SpiralFrog “oferecer aos jovens consumidores uma alternativa aos downloads piratas fácil de usar” de acordo com Robin Kent, CEO da SpiralFrog. Esta start-up irá procurar o apoio de outras labels como a Warner, EMI e Sony-BMG. O projecto tem no entanto despertado interesse junto de marcas que têm o seu target principal jovens urbanos com grande ligação à música como é o caso Perry Ellis, Levi’s ou Benetton.

Em termos de conceito genérico parece-me ter tudo para vencer, falta agora saber se a compensação monetária recebida pelas labels e pelos autores será suficientemente apelativa para avançar e manter o projecto numa base estável.

Via: Financial Times

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Neste minha segunda análise da blogosfera portuguesa resolvi centrar-me na relação existente entre o número de links de um blog e a média de visitas verificadas. Para isso recolhi dados relativos a cerca de 100 blogs portugueses no que toca à sua média de visitas (dados Sitemeter) e ao número de inbound links e linking blogs recebidos por cada um desses blogs através de uma pesquisa no Technorati. De seguida procedi a uma escolha aleatória de cerca de 75 blogs cujos dados foram submetidos à análise.

Os resultados apresentam a existência de uma correlação positiva forte (para quem não está familiarizado com o conceito de correlação) entre linking blogs e média de visitas (r=,62), entre inbound links e média de visitas (r=,59) e, como seria de esperar, entre linking blogs e inbound links (r=,86). Isto significa, traduzindo os dados em coeficientes de determinação (quadrado do coeficiente de correlação), que 38% da variância da média de visitas a um blog pode ser predito pelo número de blogs que aí linkam, enquanto que o número de inbound links prediz cerca de 35% dessa mesma variância. Na relação entre inbound links e linking blogs, o valor preditivo de uma variável na outra é de 74%. (Remeto os leitores para o post Correlação e Causalidade por forma a interpretar correctamente estas afirmações)

No entanto, se pretendermos “controlar” uma das variáveis de forma a verificar qual o peso que exerce sobre a correlação existente entre outras dois teremos de recorrer à correlação parcial. Desta forma, verificou-se que os inbound links explicam cerca de 61% da correlação verificada entre linking blogs e média de visitas.

Em termos genéricos podemos afirmar que o número de links – sejam eles de que tipo forem – está umbilicalemente relacionado com a média de visitantes que um blog recebe, não sendo obviamente possível determinar se um causa o outro. Existem no entanto outros factores que importaria ter em conta para este tipo de relação e que até ao momento não foram incluídos por dificuldade na recolha dos mesmos, como sejam a frequência de posts. Num próximo post irei abordar esta relação de um ponto de vista teórico.

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Num artigo interessante publicado no Financial Times, David Bowen realça a falta de interactividade com os adeptos patente nos sites dos clubes de futebol – no caso quer o futebol europeu (soccer) quer a versão americana. Não deixa de ser interessante que aquelas que são comunidades reais não o sejam a nível virtual!

De facto, os clubes desportivos congregam em si as características ideais para o desenvolvimento de uma social network de sucesso (tanto maior quanto o for a base do apoio do clube), optando por uma estratégia mais estática e não interactiva. O factor agregador, principal entrave ao arranque de uma social network, está lá, assim como o potencial de interacção aportado por soluções multimédia.

No caso português, a ausência deste tipo de soluções reflecto o panorama nacional, mas ainda assim não deixa de ser estranho que ainda nenhum clube tenha enveredado por esta opção.

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Voar Nus

A forma como a Ryan Air optou por lidar com as questões relacionadas com as medidas de segurança em vigor.

Via: BuzzMachine

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O Youtube vai iniciar o lançamento de uma série de brand channels, ou seja, canais específicos para a promoção de uma dada marca seja ela uma corporate brand ou uma personal brand. A ideia da companhia é a de optimizar as suas receitas publicitárias “oferecendo” às diversas companhias e artistas um meio eficaz e de elevada difusão de mensagem.

O primeiro canal será dedicado ao novo álbum de Paris Hilton, herdeira da cadeia hoteleira Hilton e que ganhou notoriedade devido às suas qualidades de actriz amadora do que propriamente cantando. No canal da cantora irão constar 13 vídeos acerca da gravação do seu novo álbum e certamente os seus videoclips, para além da promoção de vários artigos relacionados com a sua personal brand. O canal, e certamente o mesmo se passará nos que se lhe seguirem, terá também um design personalizado.

Para além do espaço no site, o Youtube irá continuar a colocar nestes brand channels anúncios de outras empresas, sendo curioso o facto de o principal sponsor do canal de Paris Hilton ser a série “Prison Break” da Fox TV, concorrente da Warner Brothers Record responsável pela carreira musical da herdeira Hilton. Os responsáveis do Youtube afirma no entanto que irão continuar a não optar por não colocar os anúncios a correr no início de cada vídeo como acontece em outras plataformas similares; a ideia é colocar o conteúdo disponível para os utilizadores e não forçá-los a assistir a anúncios como sucede nos meios tradicionais. Um caso de sucesso deste tipo de estratégia é a promoção do filme “Pulse” que, desde que foi colocado online no Youtube há pouco mais de uma semana, já foi visto mais de 900 mil vezes.

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Na edição de hoje do Jornal de Notícias podemos encontrar uma notícia acerca de um estudo que avaliou o impacto da visualização de programas de Wrestling nos comportamentos agressivos de adolescentes. De acordo com os resultados do mesmo, os adolescentes que assistem a este tipo de programas “são mais passíveis de comportamentos agressivos entre si”; mais relevante é o facto de a diferença entre adolescentes que assistem a tais programas e aos que não assistem ser superior nas raparigas. A notícia termina com o alerta dos autores para os pais e educadores:

É mais fácil para os pais e educadores pensarem que os filhos adolescentes são pequenos adultos, mas não são. Sabemos que os seus cérebros estão ainda em formação e expor crianças e jovens a violência extrema nos média pode influenciá-los

JN, 21.08.2006

Uma conclusão lógica deste tipo de raciocínio seria que se os pais não permitirem aos seus filhos adolescentes assistirem a programas de wrestling, o número de comportamentos agressivos destes irá diminuir, certo?

Nem por isso! Para analisar este tipo de dados convenientemente é necessário saber distinguir entre correlação e causalidade. Uma correlação indicia a existência de uma relação entre as variáveis na qual os valores das mesmas alteram-se simultaneamente; quando falamos em causalidade referimo-nos à influência quem uma dada variável assume sobre outra. Ou seja, quando existe causalidade reportamos que a variável X é causa das alterações registadas na variável Y. Por outo lado, a existência de uma correlação entre X e Y pode significar X tem influência sobre Y, que Y influi sobre X, ou que a relação entre ambas se deve a uma variável Z, ou a um conjunto de outras variáveis não tomadas em consideração (AxBxC). Isto porque uma correlação não nos indica a direccionalidade da mesma, apenas o modo como as variáveis se movimentam: p. ex. quanto mais X menos Y.

Aplicando estas noções ao estudo em questão temos que, a relação verificada entre “assistir a programas de wrestling” (variável X) e “quantidade de comportamentos agressivos” (variável Y) pode-se traduzir em uma das seguintes conclusões:

  1. Assistir a programas de wrestling aumenta a incidência de comportamentos agressivos nos adolescentes;
  2. A incidência de comportamentos agressivos entre adolescentes aumenta a probabilidade de estes assistirem a programas de wrestling;
  3. O nível sócio-económico (variável Z) parental prediz a probabilidade de assistência a programas de wrestling e incidência de comportamentos agressivos em adolescentes;
  4. A probabilidade de assistir a programas de wrestling e de incidir em comportamentos agressivos, por parte de adolescentes, é produto do seu rendimento escolar, meio sócio-económico e estrutura familiar (variáveis AxBxC).

Isto não quer obviamente dizer que o assistir a programas de wrestling não leve ao aumento de comportamentos agressivos através de mecanismos imitativos, como sucedo no caso do “backyard wrestling“. Significa apenas que não se pôde abordar uma possível relação causa-efeito de um modo tão simples e directo sem ter em conta a concomitância de outras variáveis. Isto é tanto verdade para quem estudo a influência de programas televisivos no comportamento adolescente, como para quem perora sobre a causalidade da situação palestiniana sobre o terrorismo islâmico. Curiosamente, os autores deste estudo têm isso em conta (apenas?) na explicação dos resultados para as raparigas:

A equipa não conseguiu explicar as razões para esta última associação, mas especulam que uma das razões pode ter a ver com raparigas que já têm comportamentos agressivos e que gostam de ver programas que confirmem este tipo de comportamentos. Ou então pelo facto de os rapazes estarem mais predispostos para estes comportamentos e a diferença, entre os que vêem e os que não vêem os programas, ser menor.

JN, idem

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