Negociações

Muito se apela ao retorno das negociações entre Israel e os seus vizinhos muçulmanos; sim, porque por muitas voltas que certa facção da sociedade queira dar esta é uma questão que tem o seu centro em disputas religiosas que depois extravasam para outros sectores da vida societal. Ora, uma negociação é um processo voluntário que coloca duas partes em disputa à procura de uma solução win-win; ou seja, uma solução que seja satisfatória para ambos os lados, mesmo que não seja a solução mais desejável para qualquer dos lados. Por outro lado, a premissa para a existência da possibilidade da obtenção de um acordo win-win é que as expectativas em relação aos resultados sejam realistas dos dois lados em disputa.

Analisando o processo dificilmente se encontra de uma das partes a disponibilidade para se sentar numa ronda negocial. Quanto às expectativas, resta recordar que para o Hezbollah o único acordo satisfatório seria o desaparecimento de Israel, algo que a nível negocial apenas será possível com a anuência dos israelitas em retirarem-se do Médio Oriente; estamos portanto perante uma situação clara de expectativas irrealistas de um dos lados! Poder-se-á argumentar que ao Hezbollah interessa a libertação de prisioneiros que Israel mantém cativos; uma verdade que apenas o é em termos presentes, daqui a um mês será outro o motivo por detrás da ofensiva.

Há ainda a solução de um intervenção de uma terceira parte através de um processo de mediação do conflito. Acontece que para tal resultar é necessário que o conflito entre as duas partes não seja demasiado intenso, o que não é manifestamente o caso. Resta apenas a possibilidade de uma acção unilateral das partes. Israel iniciou, ainda sob a égide de Sharon, um processo de Retirada fazendo uma concessão unilateral à outra parte; o Hezbollah por seu lado, optou claramente por uma estratégia de Confronto que resultou na situação bélica com que hoje nos deparamos.

Por mais “pedidos” que se faça para que as partes negoceiam, a verdade é que para haver um clima minimamente “aceitável” para tal ocorrer será necessário que uma das partes ganhe vantagem sobre a outra obrigando esta a procurar uma outra via de acção; ou que se verifique uma situação clara de um “beco sem saída” que force as partes a procurar a intervenção de outra.

Tags: Psicologia Social technorati_logo delicious_logo wordpress_logo




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