Focus Groups Online

Neste artigo Karl Long apresenta o caso de um episódio piloto de uma série norte-americana que nunca chegou a ser emitido, mas que tem sido um sucesso no Youtube. Um segmento de 10 minutos da série, denominada ‘Nobody’s Watching‘, foi durante o mês passado o 49º clip mais visto e o 34º mais discutido; isto num total de 291,600 visualizações do clip. Long lança então a questão:

Youtube the new “focus group”?

Desde logo, esta situação apresenta-se como uma total discrepância entre a opinião dos produtores televisivos e a audiência mostrando que a abordagem feita ao programa passou mais pela opinião pessoal de quem tem o poder de decidir do que atendendo ao real interesse da audiência. Mas adiante…

De facto, do ponto de vista de programas televisivos, sites como o Youtube, Metacafe e afins apresentam-se como uma plataforma abrangente e económica de ‘testagem’ de novos programas e conceitos. A questão coloca-se claro em termos da selectividade da audiência: nem todo o público-alvo de uma cadeia televisiva tem acesso ao Youtube, e dos que têm parte desconhece ou não utiliza o site.

A forma de contornar este ‘problema’ passaria por um estudo de tendências e de segmentação dos ‘clientes-tipo’ deste tipo de plataformas, e utilizá-las apenas para conteúdos direccionadas para esse alvo. Por outro lado, e abordando as coisas de um prisma mais pragmático, os problemas de selectividade deste tipo de plataformas não são muito diferentes dos que se colocam aos focus groups tradicionais. Angariar pessoas que disponibilizem parte do seu tempo para dar ‘insights’ sobre um produto/serviço acerca do qual podem não estar interessados, é uma tarefa árdua e atreita a erros. Desde logo porque nem todas as franjas populacionais se encontram em situações de igualdade selectiva, o que leva a que os participantes sejam normalmente pessoas que de certa forma não são totalmente representativos da população global (i.e. estudantes, domésticas, desempregados, reformados). A forma encontrada para ultrapassar tais questões é o óbvio pagamento – em dinheiro ou em brindes – que no entanto acarreta o problema de atrair os chamados ‘profissionias dos focus groups’, pessoas que fazem disso o seu estilo de vida (não confundir com a formação de painéis).

A ideia parece-me interessante, embora necessite de ver algumas arestas limadas. Uma alternativa que me parece mais viável, e até mais integrante, seria a criação por parte das próprias cadeias televisivas de uma comunidade crítica online. Basicamente seria o disponibilizar de segmentos de episódios piloto como é o caso, numa plataforma online criada para o propósito, onde os consumidores-críticos poderiam avaliar o interessa recorrendo ao feedback via comentários, como até acrescentando índices de análise quantitativos. O acesso ao conteúdo poderia ser executado via registo, o que permitiria às companhias fazer distinções via segmentação em termos de análises, ou mesmo restringir o acesso a certos programas em função do público que interessaria analisar. Um simples sistema de newsletter ou avisso rss seriam úteis na tarefa de lançar avisos de disponibilização de novos conteúdos.

Este post de Jeff Jarvis, embora falando de contextos diferentes, poderá ser útil para uma compreensão mais alargada do conceito.

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    […] No início deste mês falei aqui sobre a possibilidade das cadeias televisivas recorreram à web como um local de ‘testagem’ de produtos, aproveitando o fluxo de espectadores e o volume de comentários para avaliar um determinado programa antes de este ser emitido. Na altura escrevi que a melhor forma de realizar tal desiderato, por oposição a recorrer a plataformas como o Youtube, seria: a criação por parte das próprias cadeias televisivas de uma comunidade crítica online. Basicamente seria o disponibilizar de segmentos de episódios piloto como é o caso, numa plataforma online criada para o propósito, onde os consumidores-críticos poderiam avaliar o interessa recorrendo ao feedback via comentários, como até acrescentando índices de análise quantitativos. […]

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