Mudança de Imagem

Pedro Bidarra, vice-presidente da BBDO, dá uma interessaante entrevista no suplemento Dia D, que sai à segunda-feira com o jornal ‘Público’. Entre considerações acerca do mercado da publicidade em Portugal, Pedro Bidarra aborda o tema da promoção da Marca Portugal, dado que a BBDO o concurso do ICEP.

A ideia da BBDO passa por uma mudança na apresentação geográfica de Portugal, abandonando o estigma de país do Sul para nos assumirmos como o Oeste da Europa. O objectivo passa sobretudo por melhorar a comunicação de Portugal e dos Portugueses para o exterior abandonando a ideia de país atrasado, de brandos costumes; enfim, largando a imagem de ‘saloice’ que temos por essa Europa fora.

De facto assumirmos que somos a ponta Oeste da Europa parece ter, quer em termos de imagem quer em termos turísticos, maiores vantagens estratégicos do que insistirmos em pertencer a um Sul que, queiramos ou não, é estigmatizado no resto do continente. Obviamente que isso por si não irá alterar em muito a imagem dos Portugueses, até porque para isso era necessário alterara questões culturais e sociais que estão claramente fora do alcance da BBDO. Não nos podemos esquecer que Portugal foi/é um país exportador de mão-de-obra barata e não qualificada, e que os nossos quadros superiores que emigram sentem-se forçados, por vergonha ou por pressões, a omitir a sua proveniência. Isso apenas mudará quando for possível assumir-se como português sem cair no estereótipo de sermos indivíduos ‘montados em jumentos, vestidos de preto e a puxar carroças’, nas palavras de Pedro Bidarra; um estereótipo que parte sobretudo das vagas de emigrantes com origens nas zonas rurais do interior, que forçosamente pelas diversas condicionantes tratam-se de pessoas não qualificadas em termos laborais. A aposta aqui terá de ser direccionada para os próprios Portugueses e não para um target internacional, e não me parece que a BBDO, ou outra empresa publicitária, tenha grandes possibilidades de actuar.

A outra proposta da BBDO passa pela alteração da bandeira nacional, abandonando a inestética versão actual, que Bidarra refere como similar à de ‘quase todas as nações africanas, o que remete Portugal para um sul miserabilista’. A proposta da BBDO passa pela colocação da esfera armilar sobre um fundo azul turquesa, que remeta para a ideia de mar; não só pela extensão da nossa costa marítima, mas também pela tradição lusitana de navegação. Ora, aqui é que Pedro Bidarra pode, como se costuma dizer, ‘tirar o cavalinho da chuva’!

Sejamos francos, a bandeira nacional é um símbolo de soberania, mas é sobretudo um símbolo de identidade e de representação social do país. A possibilidade de ser alterada com vista a argumentos puramente comerciais é insustentável; até porque o ‘saloismo’ (que tem aspectos negativos, mas também positivos) que gira em torno de toda esta euforia das bandeiras com a selecção portuguesa, prova que tal dificilmente será aceite. 

Concordo com a ideia de se alterar a bandeira, embora seja da opinião que a única solução possível seja um regresso às cores nacionais: o azul e o branco (ou vice-versa), que ainda hoje se mantém na bandeira dos Açores. Não esqueçamos que o abandonar destas cores na bandeira prendeu-se com um corte ideológico e político com a monarquia, uma substituição de símbolos. O retornar às ‘cores naturais’ do país, desprovido de qualquer sentimento de restauro monárquico, alcançaria o efeito pretendido pela BBDO sem corresponder a um corte com o passado; seria pelo contrário um regresso ao passado de inovação e empreendorismo que marcou Portugal na época dos descobrimentos. Obviamente que as armas reais seriam substituídas pela esfera armilar!

Mas como já disse, ‘not going to happen’!

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  1. a idéia de aproveitar a idéia Portugal, para comercializar, na minha opinião, é a única forma de sairmos do buraco financeiro em que o país se encontra. As grandes qualidades do nosso país têm forçosamente de atrair estrangeiros a cá investir, seja de que maneira for, e incusive no sector turístico.
    A pensar dessa maneira, é que eu neste momento já consegui a maior base de dados sobre Portugal, tendo já 3000 fotografias (em formato analógico de 35mm) e uma inconsorável quantidade de informação ácerca deste.distrito adistrito, concelho a concelho, freguesia por freguesia, e lugar a lugar, eu apresento tudo desde monografia, história, monumentos, curiosidades, lendas, gastronomia, etç na esperança de que um dia hei-de editar um dvd. As imsgens, e, a informação já estão colocadas em formato digital, mas ainda não consegui colocar tudo que eu queria, mas hei-de conseguir.Penso acima de tudo, que um dia, com a minha atitude hei-de pelo menos encorajar os meus filhos a gostar do seu país, a continuarem a colocar no estrangeiro o bom nome do seu país, que é PORTUGAL.
    Até sempre, e obrigado pela oportunidade.sem outra razão Américo Brandão

  2. Com esta ou com outra, é possível melhorar a imagem da nossa bandeira, e ano de 2010 em que comemoramos os 100 anos da República e 900 anos da Fundação da Nacionalidade, simultâneamente é uma data excelente para isso. Editei um post sobre esta questão e fiz o respectivo link para este blog. Descobri também uma PetitioOnline que pode ser assinada e divulgada.
    Quem se interesssa pela questão deve promover e divulgar trazendo pelos seus meios o assunto para debate.




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