Questões

As sondagens de opinião e os estudos de mercado são fundamentais no desenvolvimento de estratégias comunicacionais e publicitárias, sendo porventura o complemento mais importante para a tomada de decisão por detrás do lançamento de um produto, serviço, etc. Mas para que essa tomada de decisão seja feita no sentido correcto, é necessário que a forma como os dados são recolhidos seja fiável; ou seja, que as respostas obtidas sejam aquelas necessárias.

Este reflexão fluiu da leitura de um post do blog Passport, da revista Foreign Policy, acerca de duas sondagens de opinião de orgãos de comunicação americanos a respeito da questão nucelar iraniana. Os resultados daí resultantes não são de modo algum o alvo deste post, estando o mesmo centrado na forma das respostas através dos quais estes foram obtidos.

No passado mês de Março a FOX News questionou uma amostra de cidadãos americanos da seguinte forma:

Now thinking about Iran: Which one of the following do you think is the most likely outcome for the situation with Iran trying to obtain nuclear weapons? (1) Iran will be stopped from getting nuclear weapons through diplomatic solutions. (2) Iran will be stopped from getting nuclear weapons through military action. (3) Iran will eventually get nuclear weapons.

Já esta semana, foi a vez do L.A. Times lançar uma sondagem similar:

Overall, taking into consideration everything you have heard or read about the situation with Iran, do you think Iran will be stopped from getting nuclear weapons through diplomatic solutions, or only through military action, or do you think Iran will eventually get nuclear weapons?

A principal diferença está no facto de no caso da FOX as opções de resposta serem apresentas após a questão em si, num formato mais académico; enquanto que o L.A. Times preferiu inseri-las no fluir da questão. O meu ponto de vista: ambas estão erradas!

Se vívessemos num mundo unidimensional nada haveria de errado com as questões; mas como esse não é o caso, os responsáveis pela sua formulação não tiveram em conta a possibilidade de os inquiridos terem opiniões definidas acerca de qualquer um dos cenários. A verdade é que a crença num destes cenário não exclui a crença em qualquer um dos outros, embora esta possa ser menor.

A forma correcta de abordar este tema seria o de pedir às pessoas para avaliarem cada um dos cenários de acordo com o grau de probabilidade de vir a acontecer. Desta forma, seria não só possível inferir qual o cenário tido como mais provável, bem como constatar quais as diferenças entre os três abordando a significância das mesmas. Adicionalmente, a ordem das questões deveria ser alterada aleatoriamente entre os sujeitos de modo a evitar efeitos de precedência.

O modo como estas questões foram colocadas em nada é diferente das sondagens que habitualmente se fazem nos órgãos de comunicação social portugueses e, por vezes, do que se faz em alguma pesquisa de marketing. A inexistência de pessoal qualificado ou com a qualificação adequada para a realização deste tipo de estudos/sondagens é algo que tenho constatado, e se tal pode ser 'aceite' no caso de uma sondagem de jornal, no caso de empresas que fazem disso depender o lançamento de um produto ou o seu posiocionamento no mercado, trata-se de um deficiência perigosa!

 


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