Ass-Vertising

O Ass-vertise deixou de ser uma novidade há algum tempo – embora ainda não haja registo de qualquer incursão lusa por esse domínio – mas ainda assim não deixa de ser motivo para discussão. O regresso da ‘polémica’ (se chegou a haver alguma) prende-se com a campanha da companhia italiana MTN, que resolveu recorrer aos glúteos de belas transalpinas para auto-promover-se.

Quando surgiu, esta técnica da Guerrilha destacou-se pela originalidade e pela irreverência; por ser algo novo e por desafiar as convenções. Hoje, deixando de ser novidade, perde um pouco do impacto que podia/devia ter e começa a levantar questões mais profundas acerca da sua validade. As questões ético-morais são as primeiras que se levantam: será moralmente correcto recorrer de uma forma tão explícita ao corpo femininio como produto? Pessoalmente a ‘objectificação’ do corpo humano – e não faço distinção entre masculino e feminino, embora reconheça que é o último o mais usado – não me choca nem me causa qualquer tipo de ’embaraço’. Desde que haja um acordo entre o anunciante e o indivíduo que serve de ‘plataforma’ para o anúncio, não vejo nada de reprovável.

A questão que, do ponto de vista do marketing, se me ocorre prende-se com o mau uso que esta estratégia pode ter para os anunciante. O Ass-vertise tem o objectivo de chocar, e o choque pode ser positivo ou negativo. Em termos de notoriedade os ganhos serão certamente elevados, mas isso não significa que sejam positivos; ganhar notoriedade só interessa se for positiva. O cliché ‘qualquer publicidade é boa publicidade’ pode ser verdade em Hollywood e na vida dos ‘famosos’, mas para uma marca nem toda a publicidade é positiva e nem toda a publicidade é desejável.

O Ass-vertise é uma estratégia que comporta riscos, mas que também se ‘auto-descrimina’ em termos de público-alvo. Pelas suas características, trata-se de um modelo publicitário destinado para o público masculino, sobretudo jovens-adultos. Trata-se de uma estratégia publicitária que, bem aproveitada, poderia ser usada por revistas destinadas a esse mesmo público; sendo essa o tipo de mensagem que as próprias revistas procuram passar, concretizar a publicidade poderia elevar os seus ganhos. O mesmo não se pode dizer no caso de uma marca que procure alcançar uma população mais abrangente; aí recorrer ao ass-vertise pode significar um erro grave.

Em baixo exemplos de campanhas de Ass-vertise:


health_ass

kodak_ass

mtn_ass




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